TRANSCENDENDO OS NOMES
Nomes! Cada vez mais, vindo de todos os lugares. Cobrando, delimitando, estabelecendo fronteiras incruzáveis, vigiadas. Quais são? Absolem pergunta para Alice: "Quem é você?" Assim como, uma vez, perguntaram para quem já foi Antonio. É para onde se aponta a flecha que estreitará os laços bem-vistos: você eu nunca vi por aqui, quem é?
E quando não temos um nome? Onde ficamos? Num limbo social maluco, indeterminado, ouvindo de canto. Nos espreitamos pelas portas na esperança de, quem sabe, escutarmos alguma coisa que possamos usar. E todas as pessoas do mundo nos chamam de alguma coisa - lembra do não-nascido? Ele não chegou a nascer porque não tinha nome. E então, seja lá como for, caminhamos. Ao longo da nossa vida, as coisas pegam: eu, pessoalmente, já fui de Mó à Moraes - prolongado em um Antonio. Apelidos de duas letras, apelidos de cinco letras. Mó, Mô, Amor à Amora. Amoraes? Sempre a mesma pegadinha: amorais, imorais. Imorais me parecem ser os códigos que fazem essas palhaçadas todas correrem.
Vamos criar alguma coisa? Pois bem, precisamos de um nome. Ao mesmo tempo, o nome pode servir como aquilo que distingue. O que nos distingue de um site pretensioso-pernicioso e sensacionalista e dos noticiários que se vendem e compram? Tudo, eu não vejo comparações. Nós não temos nada a ver com isso. O que distingue também é o nome. Antes insurgentes do que conformados; antes nos espreitando pelas portas e frestas - a falha no concreto que tanto viemos amando - do que acomodados em frente a uma tela que pretende nos dizer o que fazer, como andar por aí... Para isso, um nome: Insurgências Ensurdecedoras. Às vezes, penso que precisamos gritar com força os nossos nomes. Arranhá-los nas paredes, inscrevê-los em nossos lugares, reclamar o que é nosso por direito. Fazer vazar, esparramar a nossa força; marcar os nossos nomes, em nossos lugares e, assim, fazer com que ouçam-nos. Penso assim, e, quem sabe, depois disso, possamos jogar fora todos os nomes, pois eles não mais serão necessários.
Se for pra adotar um nome, assumir algum tipo de identidade marcante, que façamos para poder explodir com ele também, não é? Subvertê-lo, jogar pros cantos, apertar pra ver o que sai. Quando nos cansarmos, a gente tira ele de cena e coloca um outro. Acho que o que importa é continuarmos fiéis a nós mesmes, e, assim, acredito que possamos crescer em alguma direção, como gramas que lutam contra o sufoco, tentativas de destruição, e irrompem do concreto. Fogem pelas brechas dos tijolos que usaram para lhes enfiar de volta pelo caminho que percorreram para crescer. Foi isso que eu pensei quando li o e-mail, Gato: "Nomes. Somos os nomes, mas também transcendemos os nomes." E se já transcendemos os pronomes, muito antes do tempo e das intenções, não escapa ao olhar o fato de que já fizemos o mesmo com os nomes: Gato e Alice. Nós somos os nossos nomes, não os que outras pessoas usam para nos encerrar em imagens, expectativas e representações.
Com os nossos nomes, nos carregamos, e assim basta. Nos carregamos enquanto seres sempre abertos à mudança, à evolução e à liberdade. Assim, insurgimos. Nossos gritos enlouquecidos brotam pelos cantos, acompanhados por sorrisos de ponta à ponta. São intermediados por risadas e por tentativas frenéticas de romper, ir em direção ao que é nosso e que conte a nossa história. Nós mudamos, e, portanto, também os nossos nomes mudaram e mudarão daqui pra frente.
E quando não temos um nome, eis a minha resposta da vez: Insurgências Ensurdecedoras. É o que eu sinto, é o que vejo, é o que me faz atingir o ponto de ebulição.
Seguiremos, sabendo quem somos.
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