Desbussolando naturezas

Metaforicamente, digamos...
Digamos, que, metaforicamente, eu precisasse falar sobre o final do mundo.
Do mundo Mundo ou de um mundo?
Mundos.
E começasse a imaginar os acontecimentos lentamente até a sua velocidade escapar à sentidos quaisquer, humano, tecnológico, alienígena
O diferente já foi considerado alienígena uma dia, sua etimologia revela.
Um piscar de olhos... 
Entre o bater das asas de uma borboleta, lentamente, o suspiro, um segundo...
Há uma sombra se formando no seu olhar como nuvens escuras numa tempestade, então eu sei que o tempo vai mudar e me seguro em pontes imaginárias, não sucumbirei.
Tudo vai se desfazer, daqui até onde o vento faz a curva, ouvi dizer.
O vento faz curvas e sapateados a todo momento, ao redor da minha cabeça, sussurrando em meus ouvidos, beijando as bocas e carregando os telhados das casas
Consigo ver uma imagem diante de mim apesar de todos esses véus, essa fumaça, essa confusão disfarçada
Meu coração é como o ponteiro de uma bússola enlouquecida, buscando a medida exata, a direção, a emoção, as palavras adequadas para caber e acabar, buscando sorrateiramente maneiras de partir as cordas ilusórias da história. Uma única ou as muitas?
Mas aquela voz volta. A voz ancestral - a minha voz?- incessantemente a repetir "eu não estou preparada ainda", quando o que sempre sentiu foi a vontade de fugir, fugir de todas as realidades sufocantes que vivia, assistia, rondavam... Explodir! Sabia que tinha forças para produzir acontecimentos em grande escala
Das profundezas do seu ser pode acontecer de surgir a força que movimentará todo um universo de elementos para a sua destruição e reconstrução, quando acontecerá? Espero ou Invento o advento?
Seu nome ecoa em toda parte e a lembrança do seu olhar é como um feitiço que me envolve e seduz. 
Seus lábios cor de sangue debocham naquele seu antigo sorriso de estrelas. In qualquer lugar, aonde quer quer eu vá, brilhando como um astro de maior grandeza dentro da minha galáxia que encerrei em metros quadrados... Devo continuar a segui-lo?
Como aroma a me envolver inteira e inebriar... Num momento estou exatamente onde quero estar, temperatura, texturas, sabores. Respiro profundamente como se ele fosse a minha própria existência. Não há tempo, somente nós e a inteireza de tudo. Consciência ou entorpecimento?
Me dou conta de que já não são elementos alheios a mim, não são também apenas criações da minha mente. Foi o que me construiu, minhas raízes. Meus cabelos e veias como pincéis desenham uma realidade que almejo, contudo nunca tive a coragem de viver, insinuando um alguém que nunca ousei ser, ali, diante de mim, a minha espera... até quando?
Pisco os olhos mais uma vez e estou agora naquela esquina
Sei que preciso escolher um rumo. Preciso? Já estou no meu instante.
Enquanto caminho com olhos de tempestade, vou arrancando as roupas que não me servem mais, a pele que não me cabe mais, a língua que não me corresponde, passos e passado e um futuro que já não escreveria
Arrisco riscos em riste enxergando alvos cravejados de espinhos onde um dia minha pele foi rasgada
Deuses de diferentes culturas nasceram de cabeças que os desejavam. Aprendo.
Nasço, morro, me refaço corpo, energia anímica a partir da porção do tempo e elemento que eu melhor me orientar.



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